No caso da vacinação em massa de animais transumantes, a verdadeira questão não é a vontade nem a capacidade de pagar. O principal problema reside na logística exigida por operações de grande escala como essa. Isso envolve milhares de animais que precisam ser concentrados em torno de pontos de vacinação móveis, localizados em pontos estratégicos e em momentos específicos. Tal logística requer meios de comunicação e autoridade para a mobilização em massa de pessoas, algo que está muito além da capacidade de um veterinário particular. Veterinários particulares (com formação superior ou técnica) podem ser mobilizados para realizar o trabalho técnico de vacinação, fornecer as vacinas e cobrar o custo do serviço dos proprietários dos rebanhos.
Contudo, a mobilização dos rebanhos é uma função pública e o custo seria difícil de recuperar. A contratação de especialistas privados para a aquisição e venda de vacinas, bem como para a realização da vacinação, é uma forma de delegação. Isso incentiva os veterinários particulares, oferecendo-lhes um mercado garantido em termos de remuneração pelo trabalho técnico realizado e lucro com a venda de materiais. Elimina o ônus para a administração pública de gerir um fundo rotativo para medicamentos e vacinas, cuja prestação de contas muitas vezes é difícil para os governos de países em desenvolvimento. Além disso, reduz a necessidade de contratar e remunerar veterinários em regime de longo prazo.