Por que o acompanhamento pós-cancer deve durar cinco anos ou mais?

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O dia em que o paciente recebe a notícia de que o tratamento — seja ele cirúrgico, radioterápico ou quimioterápico — terminou com sucesso é, sem dúvida, um dos marcos mais emocionantes da jornada oncológica. No entanto, na cirurgia de cabeça e pescoço, esse momento não representa o ponto final, mas sim a transição para uma fase de vigilância ativa que costuma durar, no mínimo, cinco anos. Essa cronologia não é um número aleatório escolhido por conveniência médica; ela se baseia no comportamento biológico das células tumorais e nas estatísticas de recidiva. Quando operamos um tumor de laringe ou um carcinoma epidermoide de boca, nosso objetivo é a remoção completa com margens livres. Contudo, o câncer é uma doença de escala microscópica. Mesmo com a tecnologia mais avançada, existe a possibilidade de células residuais permanecerem em estado de dormência, invisíveis aos exames de imagem iniciais.

O período de cinco anos é o intervalo em que a maioria dessas células “despertaria” e voltaria a se multiplicar. Se o tumor não reaparece nesse intervalo, a probabilidade estatística de ele retornar cai drasticamente, embora nunca chegue a zero absoluto. O ritmo da vigilância Nos dois primeiros anos, o monitoramento é intenso. É nesse período que ocorrem cerca de 80% das recidivas em tumores de cabeça e pescoço. As consultas costumam ser trimestrais e envolvem um exame físico minucioso. Como cirurgião, minhas mãos e meus olhos são as ferramentas mais sensíveis: a palpação do pescoço em busca de linfonodos alterados e a visualização direta da mucosa são cruciais. Muitas vezes, utilizamos a nasofibrolaringoscopia no próprio consultório — um exame rápido onde uma fibra ótica flexível percorre o nariz para visualizar a faringe e a laringe.

É a nossa forma de olhar “por trás das cortinas” para garantir que a cicatrização está saudável e que não há lesões suspeitas surgindo. Por que a anatomia da cabeça e pescoço exige esse rigor? Diferente de outras áreas do corpo, a região cervical é um “hub” de estruturas vitais comprimidas em um espaço pequeno. Vasos sanguíneos calibrosos, nervos cranianos responsáveis pela fala e deglutição, além das vias aéreas, estão todos próximos. Um tumor que recidiva nessa região pode rapidamente comprometer funções básicas. O diagnóstico precoce de uma recorrência pode significar a diferença entre um procedimento de resgate simples e uma cirurgia reconstrutiva complexa. https://drstefanofiuza.com.br/o-que-e-paaf-da-tireoide-entenda-o-procedimento-e-suas-indicacoes/